"MASTER TIPS"

Dicas das "raposas velhas" do Tiro.
Autor: Helio Barreiros Júnior
Imagens: Luis Cesar de Oliveira Rodrigues Costa

Posições de tiro com arma curta

A arma curta tem origem nos exércitos, notadamente nas tropas de cavalaria e, inicialmente, de uso restrito aos oficiais. Num tempo em que a espada era a arma principal, tornou-se regra de que a pistola de um ou mais canos e depois o revólver, ainda de antecarga, fossem disparados com apenas uma das mãos. Até há pouco tempo, atirar com as duas mãos era, perdoem-me ser politicamente incorreto, coisa de mulher. Em treinamentos e provas de tiro o atirador postava-se em ângulo entre 45° e 90° com relação à linha dos alvos, levantando a arma na linha dos olhos e disparando com apenas uma das mãos. A outra ia para o bolso ou segurava a fivela do cinturão. Elegante, não?

Falecido no final de 2006, o Coronel Jeff Cooper, dos Fuzileiros Navais dos EUA, foi quem criou, no início dos anos '50, uma modalidade de treinamento de combate com armas curtas que se transformou no conjunto de modalidades de Tiro esportivo que hoje conhecemos no Brasil como "TIRO PRÁTICO". Uma de suas primeiras introduções foi o uso de duas mãos, numa posição que chamamos de "Isóceles". Nela o atirador se posta de forma paralela com a linha de alvos, afasta os pés em distância que lhe seja confortável e segura a arma com as duas mãos, conformando assim um triângulo isóceles compreendido entre seus braços, que devem ser mantidos bem esticados, e a linha dos ombros.

 


Pouco tempo depois, também nos EUA, um polícial com longa carreira na "Border Patrol", do Depto de Imigração da Polícia Federal daquele país, de nome "Jack" Weaver, alegava que a posição Isóceles poderia ser muito boa para estandes de tiro, mas era um tanto inadequada para combates reais onde os "alvos" atiram de volta! Weaver propôs então que o atirador se postasse aos mesmos 45° e 90° do passado, mas que segurasse a arma com as duas mãos, sendo que naquela que seria a mão forte, o braço estaria esticado e na mão fraca o braço estaria flexionado. Adicionalmente preconizava ele que nessa posição as mãos fossem mantidas fazendo pressão uma contra a outra, num "travamento" de grande rigidez muscular. Ficou então essa posição conhecida como "Posição Weaver".

 


Ali pelo final da década de '90 os atiradores de ponta do Tiro Esportivo, identificando a inadequação de uma posição rígida como a Weaver, para longas séries de tiro, propuseram uma posição mais natural que era, ao final a combinação das propostas anteriores. No que hoje se conhece como Isóceles Modificada, o atirador toma uma posição levemente oblíqua com relação ao alvo, algo como a posição que se toma quando se vai caminhar, como se fossemos dar um primeiro passo. Já os braços são estendidos em igual proporção mas, ao contrário da Isóceles original, ao invés de serem completamente esticados, devem ser mantidos levemente flexionados, permitindo assim que se adiante a cabeça com relação aos ombros, numa posição mais natural e, portanto, mais confortável.

Essa é a posição mais adotada hoje no mundo inteiro, seja para esporte, seja para treinamentos militares ou policiais.


No trabalho policial, pelo fato dos coletes a prova de balas, em sua grande maioria, não protegerem a lateral do tórax, a posição Weaver não é indicada, sendo a isoceles modificada a mais adequada por “oferecer” a parte protegida do corpo, ou seja coloca o atirador de frente para o alvo. Já se o policial se abrigar atrás de um poste de rua, por exemplo, a posição Weaver é indicada, pois assim o policial diminui a silhueta e ficando totalmente protegido atrás do poste.

Vale lembrar finalmente que, ao segurar a arma com as duas mãos, deve aquela dita mão forte encarregar-se apenas do controle motor "fino" que é o ato de puxar o gatilho. Todo o peso da arma fica a cargo da "mão fraca".