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Aparelhos de pontaria em armas curtas
Aparelhos de pontaria é o termo técnico para aquilo que, numa arma curta e de uma maneira mais comum, chamamos de conjunto de alça e massa de mira. Como essa é uma classe de arma que já nasceu para disparos à curta distância, em seus primórdios, ali pelos séculos XVI e XVII, ainda, é lógico, nos tempos da ante carga com pólvora negra, não havia qualquer tipo de aparelho de pontaria. Com o passar do tempo, surgiram alguns dispositivos que serviam como mera referência, um entalhe ou rebaixo na extremidade anterior do cano e uma pequena esfera aposta sobre sua boca, à semelhança do que as espingardas trazem até hoje. A natural evolução das armas e das munições trouxe a conseqüente melhoria nos índices de precisão, o que levou à introdução de dispositivos de pontaria cada vez melhores. As armas curtas se fizeram efetivas e ao alcance de todos ali pela metade do século dezenove, com o surgimento do revólver e quando ainda existiam miras ruins como, por exemplo, as dos revólveres Colt Navy e Army, onde as alças de mira eram simples entalhes feitos no cão. Sim, é isso mesmo, v. só mirava com o cão engatilhado e quando apertava o gatilho a alça simplesmente sumia! Depois, ainda mantendo os entalhes simples ou mesmo peças separadas, a indústria fazia miras cujo perfil variava muito. Haviam entalhes em “v” nas alças que na visada deveriam se “encaixar” em postes em “A”, como, por exemplo nas famosas pistolas P-08 (Luger). Haviam entalhes em alças de mira com entalhes em “U” que se relacionavam com postes de perfil retangular. Enfim, uma salada que fazia difícil uma visada clara para qualquer um que não tivesse uma visão simplesmente perfeita, coisa para jovens! |
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Foi
só depois da Segunda Guerra Mundial que a indústria de
armamento praticamente padronizou, seja para miras fixas, seja para
as reguláveis, perfis retangulares de alça e massa que
permitem o mais fácil alinhamento e passagem de luz. Sem entrar
pelo campo das miras óticas, que fogem do tipo de utilização
que é nosso foco, digo-lhes que as possibilidades atuais são
as seguintes: |
| - MIRAS TOTALMENTE FIXAS | |
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Nessa
classe está a grande maioria dos revólveres. Neles a massa
de mira é um entalhe na parte traseira da armação
e a massa é uma protuberância, normalmente denominada “poste”,
construída sobre a boca do cano da arma, na maioria das vezes
numa peça única. Esse sistema não permite qualquer
tipo de regulagem. Na fase de projeto desse tipo de arma já se
define a altura da massa de mira com relação à
alça, tomando como base a munição mais comum para
o tipo de arma em questão e a distância padrão de
25m. Tomando como exemplo um revólver calibre .38SPL, o projetista
define as dimensões do conjunto de alça e massa de tal
forma que, disparando um cartucho comercial com projétil de 158
gr, a 25m o ponto de impacto coincide com o ponto visado, estando é
lógico, as miras alinhadas corretamente. Nesse caso, se mudarmos
a munição para um cartucho de maior velocidade inicial,
seja por ser um do tipo “+P”, ou simplesmente por ter um
projétil mais leve, será natural que os impactos registrados
estejam um pouco abaixo do ponto visado, posto que os projéteis
deixaram a arma antes de que esta atingisse seu máximo recuo.
Essa diferença normalmente é pequena, algo como 5cm a
25m. Como trata-se de arma destinada a ser utilizada em distâncias
muito menores, de no máximo 10m, praticamente não se nota
diferença. Se uma arma desse tipo, por ter escapado ao controle de qualidade, apresentar ponto de impacto completamente diferente do ponto visado, só com a ajuda de um bom armeiro o problema será resolvido ou ao menos reduzido. Tratam-se de alterações definitivas e, portanto, sugiro que o usuário certifique-se bem se o defeito não está numa visada incorreta, num acionamento do gatilho tão abrupto que tira a arma do lugar no momento do disparo, ou se a simples troca do tipo de munição já não resolve o problema. O armeiro pode corrigir lateralmente um sistema de pontaria fixo preenchendo com solda o entalhe da alça e usinando novo entalhe no ponto desejado ou ainda, quando possível, movendo a massa de mira apertando ou soltando um mínimo a rosca que prende o cano na armação. Se a correção pretendida for na altura, o mais fácil é trabalhar sobre a massa de mira, seja reduzindo com limas ou abrasivos, seja aumentando com o uso de solda. Em qualquer um dos casos há que se ter em mente que, seja qual for o tipo de aparelho de pontaria, correções efetuadas na alça de mira tem relação direta e correções efetuadas na massa de mira tem relação inversa. Isso significa que se v. estiver atuando sobre a alça de mira, sempre que, por exemplo, v. a deslocar para direita, essa alteração fará com que os impactos também se desloquem para esse lado. Já se v. atuar sobre a massa de mira, a relação é inversa. Se, por exemplo v. movê-la para a direita, os impactos se moverão para a esquerda e por aí vai. Para realizar essas correções definitivas os armeiros se valem de um cálculo que dá uma base inicial para saber quanto se tem que acrescentar ou reduzir a alça ou a massa de mira. Trata-se de multiplicar a distância entre alça e massa pelo erro no alvo(a distância entre o ponto visado e o ponto atingido), dividindo então esse produto pela distância de tiro. Tomemos por exemplo um revólver cujos disparos atingem o alvo 15cm abaixo do ponto visado a 25m. Medimos a distância entre alça e massa de mira, obtendo um resultado de 84mm. Obrigatoriamente trouxemos tudo á mesma unidade de medida, milímetro, e assim multiplicamos 84mm(dist. entre miras)x150mm(erro)=12.600. Dividimos então por 25.000(dist. de tiro). O resultado foi 0,504mm, ou seja, nesse caso, já que queremos “subir” o ponto de impacto, teríamos que reduzir a massa de mira em ½ mm. |
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| - MIRAS REGULÁVEIS | |
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Nessa
classificação temos: - Alça regulável por parafusos, lateralmente, verticalmente ou ambos. Nesses casos a alça se move tanto vertical quanto horizontalmente através de parafusos de regulagem. Quando de boa qualidade esses parafusos apresentam pontos de referência com “clics” definidos que permitem até que se mantenham registros (anotações) da regulagem necessária para cada distância ou tipo de munição. Na grande maioria das marcas na regulagem lateral o movimento do parafuso leva a alça no mesmo sentido, ou seja, se v. gira para direita, a alça vai para a direita. A exceção mais conhecida são as armas da Ruger, onde ocorre o contrário. Na regulagem vertical, no entanto, não são conhecidas exceções, se v. aperta o parafuso (direita) a alça desce e se v solta o parafuso(esquerda), a alça sobe. Normalmente esse tipo está associado a uma massa de mira fixa, podendo, mais raramente estar associado a uma massa de mira que permita movimento lateral. O quanto cada “clic” de movimento numa alça de mira desse tipo significa de variação no ponto de impacto no alvo, muda de fabricante para fabricante e normalmente é declarado no manual de instruções da arma. De uma maneira geral, no entanto, pode-se dizer que é da ordem de cada “clic” muda o ponto de impacto em ¼” (6,35mm) a 25m. |
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Alças sem parafusos, reguláveis apenas lateralmente. São
montadas na arma em encaixe do tipo “rabo de andorinha”
que permite apenas movimento lateral e também sua fácil
troca por peça de altura diferente, normalmente fornecida pelo
fabricante quando solicitado ou então construída especialmente
por armeiro. Não há qualquer parafuso que auxilie sua
regulagem e para movê-las ou removê-las há que se
fixar sua armação ou, no caso de pistolas semi-automáticas
seu ferrolho, em um torno de bancada e, utilizando um martelo e toca-pinos,
preferencialmente de latão para não danificar o acabamento
superficial, fazer deslizar a peça com leves pancadas do martelo. |
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Massas de mira reguláveis apenas lateralmente. Da mesma
forma que as alças de movimento lateral montadas em rasgos do
tipo “rabo de andorinha”, podem ser movidas ou removidas
para troca ou regulagem. A única diferença é sua
relação inversa já explicada. Para calcularmos o quanto uma alça ou massa desse tipo deve ser movimentada podemos nos valer da mesma fórmula que se utiliza para correção de miras fixas mencionada anteriormente. |
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